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Bruno Assis
Minha busca começou cedo, antes mesmo de ter palavras para nomeá-la.
Aos seis anos entrei para a Igreja Católica e me tornei coroinha na Igreja de Santo Antônio, em Curvelo. Ali tive meu primeiro contato com ritual, símbolo e devoção. Eu não compreendia intelectualmente o que acontecia, mas havia algo naqueles gestos que me prendia a atenção. As mãos unidas em oração. O incenso. O silêncio carregado. Eu sentia que por trás de cada gesto havia uma força que não cabia em explicação.
Essa inquietação me acompanhou por toda a vida.
Aos doze anos minha jornada tomou outro rumo. Entrei em contato com a espiritualidade através da ayahuasca e da Umbanda. Foi um período de abertura intensa, de perguntas profundas e de vivências que ampliaram minha percepção sobre energia, consciência e responsabilidade espiritual. Algo em mim começou a ganhar direção.
Entre 2008 e 2012 frequentei de forma sistemática diversas linhas religiosas. Não como curioso, mas como estudante comprometido e praticante real. Busquei compreender fundamentos, estruturas, símbolos e experiências diretas. Fui iniciado na Umbanda, no Candomblé e em outras tradições afrodescendentes, sempre com respeito à hierarquia, à ancestralidade e aos fundamentos. Essas vivências ampliaram minha compreensão sobre corpo, gesto, intenção e força espiritual.
Em 2010 fui iniciado no Reiki e em 2012 tornei-me mestre. O Reiki me ensinou disciplina energética, ética no cuidado e responsabilidade na transmissão do conhecimento.
Foi também em 2010 que comecei a fazer rascunhos em cadernos. Desenhava posições das mãos, anotava percepções, registrava sensações. Ao longo de toda a minha vida eu havia observado muito as mãos das pessoas, e havia uma inquietação constante nessa observação. Eu perguntava aos mais velhos e recebia, por vezes, respostas vazias. Em outras, explicações que até faziam sentido, mas algo ainda faltava. Eu sentia que havia uma linguagem ali, uma estrutura silenciosa que ainda não estava nomeada dentro da minha realidade.
Foi nesse processo de busca que encontrei os mudras. O contato inicial foi distante. A linguagem era outra, o contexto cultural era muito diferente do meu universo naquele momento. Isso me fez recuar. Eu precisava amadurecer antes de atravessar aquela porta com consciência.
Em 2012 conheci a Ayurveda. Esse encontro me aproximou novamente dos mudras, mas agora de forma mais concreta. O entendimento do corpo como campo energético começou a ganhar organização dentro de mim. Foi ali que minha jornada com os mudras deixou de ser curiosidade e passou a ser caminho.
Em 2013 fui iniciado no Tarot, aprofundando o estudo dos arquétipos e da linguagem simbólica. Em 2014 concluí minha formação em Gestalt Terapia e em 2016 finalizei minha formação no Instituto de Gestalt Terapia, integrando psicologia, presença e responsabilidade clínica à minha prática energética.
A pandemia de 2020 foi um ponto de inflexão. Para mim foi um período de incubação. Ali eu mergulhei nos conhecimentos que já vinha acumulando e encontrei organização dentro do aparente caos. Estudei profundamente o Projeto Mayhem de Marcelo Del Debbio, o Espelho de Circe de Katherine Frisvold e os estudos de Nick Farrell, entre outros grupos e correntes do hermetismo contemporâneo. Consegui materializar de forma sistemática aquilo que antes estava espalhado em experiências e vivências. Aprendi a estruturar sistemas, organizar símbolos e integrar linguagens distintas dentro de uma mesma arquitetura de pensamento.
Foi também nessa fase que aprofundei minhas meditações e canalizações energéticas. O recolhimento externo trouxe expansão interna.
E foi nesse contexto que comecei a estruturar e escrever o livro de mudras.
Paralelamente à jornada espiritual e terapêutica, construí minha trajetória empresarial. Em 2022 abri minha segunda empresa no ramo de energia solar junto com meus sócios. Minha vida sempre transitou entre dois campos que, para mim, nunca estiveram separados. A energia invisível que move o ser humano e a energia concreta que move estruturas e empresas.
Os mudras surgiram nesse contexto não como curiosidade estética, mas como síntese. Ao longo de mais de vinte anos observei rituais, gestos sagrados e posições de mãos em diferentes tradições. Durante dez anos compilei, testei e refinei esse material na prática terapêutica. Nos anos seguintes organizei, revisei e editei até que se tornasse uma obra coerente e aplicável.
Acredito que conhecimento só tem valor quando pode ser vivido. E que energia precisa de consciência para gerar transformação verdadeira.
Minha jornada não foi construída em atalhos. Ela foi vivida, estudada e experimentada.
Este livro é a consequência natural desse caminho.
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